Social Icons

facebooktwitterrss feedemail

Pages

31 de março de 2009

Dekassegui Underground


Sou um dekassegui!
Essa foi a experiência da minha vida; mudou todos os meus conceitos e pontos de vista. Passei ao todo sete anos no Japão, fui em
98 com quinze anos e praticamente (voltei uma vez por pouco tempo) passei lá a maior parte minha adolescência. Lá eu virei "hominho" como disseram minhas tias depois de tanto tempo sem me ver.

Não vou entrar aqui em análises políticas e sócio-econômicas do Brasil na época, motivos que levaram ou definições do que é a imigração brasileira no Japão, que começou mais ou menos no final dos anos 80. Mas antes preciso definir algumas coisas; no começo dos anos 90 aumentou muito o número de pessoas chegando por lá, não parando de crescer até pouco tempo. (crise financeira...bom, todos sabem).

No começo grande parte eram de jovens casais e famílias c
om filhos pequenos tentando fazer a vida, mas que sempre tiveram como intuito retornar ao Brasil. Com o tempo isso foi gradativamente se modificando, pensamentos foram mudando, idéias surgindo, contatos com a cultura japonesa acontecendo e pessoas se acostumando.
Nesse meio tempo chegaram mais jovens e as crianças cresceram! O que mais tarde em conversas regadas à cerveja com meus tios - Ah! saudosas
conversas - chamávamos de uma "segunda geração" de dekasseguis, com intenções e pensamentos diferentes do pessoal no começo. É aí que me enquadro.

Já é dificil ser adolescente, foi pior ainda morando em
outro país que você ainda não entende a cultura e está fora do contexto. Eu me sentia perdido - Aqui no Brasil eu era o "Japinha", o "China" (vai entender...e meu irmão menor era o Chininha!), chegando no Japão eu era o "Burajiru -jin * " o "Gaijin ** ". Eu era..., aliás eu não era! Era? O quê eu era?
Que conflito existencial para um moleque.

Em meio a máquinas, prensas e soldas; apesar do trabalho em fábricas me consumir a maior parte do tempo, foram os anos que mais me ensinaram, e o que com certeza fez toda a diferença foram as minhas amizades. Eu me sentia meio excluído da sociedade japonesa principalmente por não falar a lingua, mas também da comunidade brasileira! Mesmo morando em uma c
idade, que estava entre as primeiras em concentração de habitantes brasileiros; Toyohashi Rock City. Bom voltando ao assunto, digo-lhes o porque de não me identificar tanto com os outros brasileiros:

Por favor que não me interpretem mal os outros dekasseguis, mas nas fábricas o pessoal só comentava sobre dinheiro, e esse lance de discoteca sábado, modinhas e tunar carro como no Velozes e Furiosos nem era a minha. Eu até tentei interagir;
eu queria bagunçar, conhecer meninas, mas como eu iria fazer nas discos? Eu nem sei dançar, detestavas as músicas, eu sou do Rock and Roll meu!

Depois de alguns anos as coisas começaram a mudar. Tudo aconteceu ao redor do Skate e do Rock and Roll, duas coisas que serviram como meio de a
proximação entre eu e meus amigos. Depois de nos conhecermos, foi como fazer parte de alguma coisa maior, tinhamos idéias parecidas, gostos parecidos e o fato em comum que todos éramos moleques meio perdidos no meio e que não nos encaixavámos direito onde estávamos.

Por causa deles conheci mais lugares que alguns japoneses que trabalharam comigo, vi shows que eu nunca poderia ter visto aqui no Brasil e mesmo
trabalhando em fábricas, normalmente das 8 às 20 Hrs, aconteceu o contrário com a mente, ao invés de se fechar ela abriu.
Tem gente que acha seu caminho em igrejas e no time de futebol. Eu achei o meu com um monte de bêbados, skatistas e punk rockers.

Um bêbado aqui, skatistas ali (ae Junichi e Tico!), A banda (Douglas, Edu e André!),
a única menina (Regina!), um peludo vindo do nada (ae Neguinho!), um orelhudo das montanhas (brincadeira Gnomo!). Muito mais pessoas se juntaram (lembranças a todas!) e com gostos diferentes ou não, sempre tivemos pontos em comum; éramos como exploradores de novas terras, éramos adolescentes bagunçando, éramos anti-sociais fazendo amigos, éramos juntos o que não conseguiamos ser separados.
Fica então aqui um saudoso abraço para todos que fizeram parte disso:
 

Z53D - Boemia Rock Clube - Mundrungos Skateboard - Barking Spider - Feel No Pain - Broken Hope - Drink Beer for a Better Life - As Purpurinadas - Bash Rock Party - Brazil Drink's (Bartoré) - Miyuki Koen Skatepark - Matsuba Koen - Pistinha de Nagoya - 7 de Stembro F.C.

* Brasileiro ** Estrangeiro - Foto do texto se não me engano tirada pelo Baioneis.
Perdão se esqueci de alguém, umas das trilhas sonoras dessa época:




29 de março de 2009

30 Metros Feliz




Voltando para casa semana passada vi uma coisa que me fez ficar sorrindo por alguns minutos.
Sempre achei São Paulo uma cidade bem àspera, densa - não em um sentido ruim. Tudo o que faço na cidade é muito intenso, pegando o ônibus ou parando em algum boteco não é como se eu estivesse aqui no ABC. Nasci em São Paulo para onde vou todos os dias mas sou morador de São Bernardo do Campo, terra do frango com polenta!

Era sexta-feira a tarde (também conhecida como detardezinha, atardinha dependendo do lugar) quando as pessoas estão saindo do serviço. São Paulo fica agitada com ruas paradas essa hora, os carros nem vem nem vão mas os motorista não estão lá tão emburrados como todos os outros dias, xingamentos e braços com gestos nem tão educados continuam a aparecer pelos vidros dos carros, acabar com isso seria exigir demais dos motoristas mas não são tão frequentes como nas segundas-feiras.
O sol bate de lado na cidade, os prédios e as pessoas ficam iluminados de uma forma bonita essa hora, a cidade já não é mais tão cinza e suja, tudo fica um pouco mais suave e leve. Pessoas andando em grupos carregam suas bolsas e mochilas contando histórias engraçadas e rindo, na verdade não sei se são mesmo engraçadas. Mas o importante é que pessoal está de bom humor! E provavelmente indo fazer a Happy Hour em algum barzinho.

Estávamos voltando de carro, peguei carona com minha prima. Quando começamos a subir o Minhocão, eu estava olhando as pessoas pela janela do passageiro que deixo totalmente aberta (não gosto de andar de carro com as janelas fechadas) e uma moça me chamou a atenção, não só a minha aliás.
Ela devia ter seus vinte anos mais ou menos, tinha os cabelos lisos e castanhos que batiam dois palmos acima da cintura - usava uma blusinha amarela e uma saia longa que ia até os pés, toda florida! Um florido elegante, nada tão despojado hippie, nada tão cortina nos anos 80. Era uma moça bonita, mas nem tanto, não era do tipo que vai sendo acompanhada por buzinas onde passa.

A moça estava com seu ipod e o que chamou a nossa atenção (minha e do pessoal na rua) é que ela ia andando e dançando, não eram passos dançantes em ritmos extravagantes, nada de bondes de qualquer coisa ou bandas de metal satanistas. Eram simples e singelos, a cada passo ela se movia para um lado depois para o outro, com as mãos ajudando a seguir o ritmo.
Minha chance de acertar a música é a mesma de eu ser convidado para posar nú, mas me pareceu algo bem leve com vocal feminino, meio Mallu Magalhães, Go Sailor! ou Hello Saferide (video acima, que conheci mostrado pela página do meu amigo Jeff). O que eu não daria para saber o que ela estava ouvindo...

Por trinta metros acompanhei o andar da menina dançarina e não consegui desgrudar os olhos, fiquei encantado com sua graça e despreocupação com o resto do mundo, a mocinha não conseguia conter o que estava dentro dela, o que à diferenciava no meio das ruas cinzas cor de chumbo.
Sem saber compartilhou um pouco comigo, também não parei de sorrir enquanto olhava.

Por alguns segundos observei atencioso até começarmos subir o viaduto. Conseguir ver até ela passar na frente de um bar - a boêmia mexeu com ela de uma forma bem humorada, chegaram até imitar seu andar - ela percebeu, deu um sorriso e continuou andando da mesma forma, olhava para baixo tentando conter seus sorrisos mas era em vão, ela não conseguia esconder que estava feliz.


23 de março de 2009

Amor Platônico


"...No século XXI, há uma doença que não ousa dizer o seu nome: a solidão. Hoje a solidão é sinônimo de revés amoroso, que por sua vez se tornou um estigma de insucesso - atualmente fracassar no amor é como estar desempregado. À noite, o solitário à uma mesa de restaurante é um sem-abrigo, um intocável hindu, numa espécie de pelourinho. Perdoa-se tudo nessa sociedade permissiva, menos aquele que não é amado...." (Trecho do livro; O Suicida Feliz - Paulo Nogueira)

Estou terminando de ler esse livro, o autor é português, não conheço nada sobre ele. Foi aquela compra de livro em que você vê a capa, lê o prefácio e pensa: Pots minha cara! Vou levar. Eu sou uma pessoa consumista mas não com coisas que acho que são as básicas do meio; roupas e carros por exemplo. O que mais deixa meu apetite material saciado é comprar quadrinho, uma graphic novel, Neil Gaiman! Passo duas semanas feliz com isso.

Em uma passagem do livro um personagem comenta que com a leitura a pessoa está sempre acompanhada, bem ou mal, discussões à parte, mas está. Me identifiquei com isso, posso me considerar uma pessoa solitária, quando criança sempre fui aquela que ficava no seu canto desenhando, se eu tivesse papel e lápis de cor já bastava. Não vou procurar o termo solidão no dicionário e trascrever aqui porque iria cair em um clichê (que xarope! Por isso é solitário!).

Como alguns hábitos não mudam, a solidão também transcendeu para a adolescência, é penoso ser um adolescente solitário. Quantas vezes você cai em situações extremamente desconfotáveis por não ser uma pessoa lá das mais sociáveis. Ou pior! Você não cai em situações! Como conseguir um selinho da patricinha Carol, por ser solitário e não ser popular. Quando se é adolescente você acha que precisa disso, e imagina momentos bregamente românticos, acho que brotado na minha adolescência vem essa tendência ao amor platônico.

Agora sim! Amor Platônico! Vem dos ideais de amor concebidos por Platão, um amor puro desprovido de paixões que são cegas, efêmeras, materiais e falsas (definição inteira Wikipédia) que eu sempre tive como um amor inalcançável e impossível. (puts! Colocou a definição, que clichê!). Talvez não haja pesquisas do tipo, mas tenho as suspeitas que para um adolescente introspectivo isso causa mal para a vida toda.

Se fosse um produto deveria vir com avisos como os cigarros:
- Amor Platônico causa gagueira.
- Amor Platônico causa suor de mãos.
- Amor Platônico causa aceleramento cardíaco.
- Amor Platônico causa espinhas na cara. O que fazer quando você quando você já se tornou adulto, teoricamente é dono do seu próprio nariz, paga contas e contribui com o governo. Não deixou de ser solitário nem introspectivo mas conseguiu até algumas habilidades sociais, forçado! Na marra! E tirando as espinhas começa a sentir alguns sintomas do mesmo amor platônico de quando era adolescente?

Bom, né?

4 de março de 2009

No Metrô


Preciso usar o metrô todos o dias, quanto a isso é uma coisa boa, acho que é o melhor transporte de São Paulo, passam vários a todo instante e são rápidos. Atravesso a cidade toda, vou da Zona Sul à Zona Norte em menos de uma hora.

Mas tenho um problema com o metrô, aquela área bem na frente da porta.
Em cima, grudado no teto, tem aquele segurador de metal (é assim que se chama? Aquele pequeno no carro chama puta que pariu) que é circular, quando estou segurando ali tudo bem, tranquilo.

O problema é quando o vagão está lotado e estou em uma pequena área entre as pessoas que estão segurando o metal, que estão na minha direita, na esquerda e atrás encostadas na porta, como segue o exemplo tosco:


Eu não sou uma pessoa tão alta, não consigo alcançar o metal com o executivo gigante com cara de poucos amigos na minha frente. E não me sinto a vontade de me apoiar no ferro do lado com o senhor pescando de sono, e se ele acordar com a minha cara bem na frente da dele?

Ou colocar uma mão na parede, e ficar bem de frente com menina ouvindo ipod, aí eu ficaria com uma pose meio James Dean com a mocinha encostada na parede, como eu iria olhar para cima? Fico extremamente sem graça de encarar as pessoas e quanto mais perto, mais sem graça eu fico, preciso ficar olhando para baixo.
É ruim quando uma moça está muito perto porque percebo olhares do tipo: Que que tá olhando meu peito ae? E não estou! Mas como vou explicar que sou estranho e que não gosto de ficar encarando as pessoas bem no meio do metrô lotado.
E ainda tem o cara de boné e mochila usando óculos escuro de noite, atrás no meu cangote e tudo isso sem eu ter um apoio para me equilibrar.

Agora quando metrô balança não sei se caio para o lado do tiozinho que saiu cansado do serviço, para frente no lado do executivo mau ou para o lado da menina dos peitos correndo o risco de levar um tapão.

A outra possibilidade acho que não está cogitação.

* Foto do texto eu tirei na estação Sé
.

1 de março de 2009

Dreams - Akira Kurosawa


Esse é o filme visualmente mais bonito que já assisti. Ele é dividido em sonhos, passando pelo presente, passado e futuro.
O sonho que mais gostei foi com o Van Gogh (Martin Scorcese) em que o personagem viaja pelas imagens e algumas cenas são recriadas pegando como base suas pinturas.

Ele é o pintor
que mais admiro. Uma coisa que gosto de fazer é colocar o fone de ouvido e ir sozinho para o Masp para passar algumas horas.
O acervo deles tem quatro obras do Van Gogh:

O Escolar (1890)

A Arlesiana (1890)

Banco de Pedra No Jardim do Hospital Saint Paul (1889)

Passeio ao Crepúsculo (1890)
 

.

.

.