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24 de maio de 2009

Talvez



Meu caro amigo me convidou para escrever, mas não me deu o manual de como isso funciona.


Como muitas das coisas em nossas vidas elas seguem de algum jeito, talvez uma conversa com amigos, o ócio ou um filme alternativo.

Queria poder saber viver, não sei se vivo ou se queria mesmo.Muitas vezes ela apenas acontece,talvez por não esperar nada.

Não sou livre.Não sei se serei,talvez pelo silêncio escondido no medo de mudar.
O silêncio inquieto que traz o silêncio que não deveria silenciar.

Um mundo rico em sensações, personalidade e momentos espontâneos umedecidos de simplicidade e restrito aos sonhos, anseios e dignidade.

Sentido egoistamente na privação e abandonado precocemente na doação.

Talvez a liberdade não seja uma condição mas uma grandeza verdadeira que fala por si só.

Estou com sono,meus pés estão frios.Acho que sempre estiveram.

Meus cumprimentos.


Cebola.

Top 5 - Bandas Que Conheci Chegando no Japão

Lista de 5, comecei a fazer listas depois de assistir o Alta Fidelidade anos atrás, claro que foi sempre uma coisa mental, que pensava na hora e que não consigo lembrar de nenhuma agora que já fiz, mas vou começar a anotar aqui.
Essa lista agora não são as melhores bandas que conheci no Japão, mas as melhores em um primeiro momento, logo depois do baque de chegar em terras desconhecidas e que me fazem lembrar dessa época. São as bandas que conheci quando eu ia sozinho para a loja de cd's quando tinha algum trocado no bolso e que foram caminho para outras.

Nesse tempo eu não conhecia ninguém para sair nos fins de semanas e o meu maior prazer nesses anos era entrar na loja de cd's. Tinha uma que chamava Wave perto de casa, toda sexta ou sábado de noite eu estava lá e passava umas duas, três horas ouvindo coisas novas e comprando singles e cd´s.
Comprei um monte de porcaria também, mas sabe como é né...


5 - Mr. Children



Eles eu conheci na televisão assistindo programas top 10 da semana, eu nem sou lá tão fan da banda em si, mas essa música me lembra muito desse ano, 98.

4 - the brilliant green


Ela foi a primeira vocal feminina que vi lá e gostei, achei ela bonitinha, gostei do jeito dela, ah... tá bom vai!... gostei mais dela do que da banda mesmo. O nome dela é Tomoko Kawase, acho ela charmosa e eu casava com ela.

3 - Dragon Ash


Deles eu comprei o Mustang! e o Buzz Songs, depois do serviço eu colocava o cd e ficava lendo o encarte. Essa música acima eles lançaram um pouco depois dessa época mas gosto dela, me faz lembrar as poucas horas depois do serviço.

2 - Hi-Standard


Eles foram a banda que mais gostei nessa época, lembro que eu ouvi o Angry Fist em um aparelho com fone que a loja disponibilizava, esse ouvi e comprei na mesma hora.Por causa deles conheci mais bandas da Pizza of Death Records. Depois fiquei sabendo que o Ken Yokoyama fez uns lances solos mas aí já não acompanhava com o mesmo fervor de quando ouvi a banda no começo.

1 - Kemuri


De todas as bandas que coloquei aqui o Kemuri é a melhor e a que sempre ouço até hoje, ouvi também o 77 Days em uma máquina e comprei, talvez tenha sido meu primeiro contato com um ska mais rápido. Esse cd eu li e reli o encarte e cantei junto com eles muitos dias.
Era a melhor coisa de se ouvir naquelas terças ou quartas-feiras geladas do Nihon depois de chegar do serviço cansado, fazia minha noite feliz.

20 de maio de 2009

Balcão do Zé



-Por favor seu Zé:

-Me vê uma gelada e um lugar mais sossegado que não seja tão apertado e que as pessoas não precisem andar desconfiadas na rua, um lugar mais espaçoso, que ninguém fique te julgando e que você não precise andar com escudos para se proteger.
Que eu não precise me preocupar com erro dos outros e resolver os problemas que não sejam os meus.

-Me vê também um maço de cigarros e um lugar com música boa tocando, com algumas flores coloridas e que no final da tarde eu possar ir para a praia ficar deitado na areia.
Um lugar que as pessoas não precisem disputar espaço a cada hora do dia ou ter que provar nada à ninguém.

Que de dia eu possa viver tranquilo; e que de noite seja iluminado com várias e pequenas lâmpadas amarelas, que eu possa sentar na mesinha do lado de fora de casa para olhar as estrelas no céu e que quando eu colocar a cabeça no travesseiro eu esteja feliz e ansioso esperando o dia seguinte.

-Ah entendo, vê só a cerveja e o cigarro mesmo...

6 de maio de 2009

Saudades Dona Maria



Semana passada minha avó faleceu.
Não vou fazer disso uma despedida, porque não convém e não cabe tudo o que nós passamos juntos, estive todos esses dias tentando mentalizar que o que interessa foram os momentos que aproveitamos juntos, em vida; e que esse é o caminho de todos nós no final.
Também não quero que sejam palavras tristes, porque também não foi assim que convivemos,
mesmo ouvindo muitos conselhos e tentando enfiar palavras racionais na cabeça, é díficil quando uma pessoa tão próxima deixa de conviver com a gente. Comecei a ouvir umas músicas agora e merda; estou rindo lembrando de todas as coisas e chorando ao mesmo tempo, agora veio o baque.

O que passa pela minha cabeça agora foi a vez que ela saiu correndo atrás de mim porque queria fazer a barra da minha calça e eu não deixava,
ela detestava que eu não andasse arrumado. Eu já estava com uns dezessete anos, mesmo assim ela saiu correndo atrás de mim tentando arrancar minha calça até eu conseguir chegar de um lado da mesa, olhamos um para a cara do outro e começamos a rir.

Que toda vez que vinha visita ela mandava eu colocar o dvd com as menininhas dançando Odori de Okinawa ou o dvd da Natsukawa Rimi. Toda vez que vinha visita ela fazia questão que todos comessem lá e mesmo estando tudo ótimo ela falava: "Não tem nada de gostoso...". Essa era a coisa que mais deixava ela contente, que todos estivessem comendo juntos na casa dela.
Que Toda vez que eu levava uma menina em casa ela perguntava se era minha "namoradinha", eu respodia perguntando: E essa Dona Maria? Tá aprovada? Ela repondia: Ih! Isso é você quem sabe... E saía andando ligeira para não entrarmos no assunto, ela detestava entrar nesses assuntos de namoradinhas e relacionamentos.

Ela gostava de ir para a feira aos domingos, mas pesquisar todos os preços com minhas tias antes de fazer a compra e depois da feira era sagrado voltar para um café e discutir de novo todos os preços da feira. Ela tinha suas flores e gostava de assistir filmes comigo comendo pipoca, mas os que tinham algum ator ou atriz oriental, aluguei todos os filmes na locadora que tinham alguma japinha na capa.

Que todas as pizzas de sextas-feiras eu perguntava qual ela queria, a Dona Maria sempre respodia: Ah! qualquer uma, mas todas que eu trouxe ela não gostava e me xingava.
Ela também xingava todos os nossos cachorros, preciso reconhecer que nenhum foi quietinho e claro que esse xingar era de uma forma carinhosa, ela estava sempre agradando ou correndo atrás deles com uma vassoura, era o jeito dela de gostar. Eee Dona Maria...

Eu gostava quando íamos para algum lugar de carro. Ficar no meio de três senhoras de Okinawa não é lá a coisa mais fácil do mundo, vem tiros de todos os lados, como eu dava risadas.... Ela foi a nossa segunda mãe, sempre moramos com ela, quando eu tinha sete anos e meu irmão quatro, ela e meu avô cuidaram de nós sozinhos por algum tempo. Eu e meu irmão jogávamos bola até ficarmos cinzas por causa da sujeira e ela lavou por muito tempo nossa roupa, sempre fez nossa comida, até pouco tempo estava fazendo goyá com ovo e o seu frango cozido que comiámos com farinha quando moleques.

Grande parte do porquê sabermos de onde viemos e o repeito que temos por Okinawa é por causa da Vó, as músicas que ela mais gostava eram Hana, Tinsagu no Hana e Asadoya Yunta (música acima). Sempre que eu estava ouvindo no computador essas músicas ela chegava, ficava ouvindo e me perguntava como eu "tinha" as músicas, coisa que apesar das tentativas nunca consegui explicar para ela essa tal de internet.
Graças principalmente ao meu irmão meus avós foram para Okinawa há alguns anos; ela antes de ir, mandou anotar o nome dessas músicas e foi para Okinawa com esse papelzinho para conseguir as "fitas". Ela gostava de ouvir as músicas com as letras em mãos para acompanhar e cantar baixinho.

Sabe...como falei no começo não são palavras de despedida, são algumas palavras de agradecimento e muitas saudades...
Muito obrigado Dona Maria, não cabe aqui o quanto ainda precisaria agradecer, e se tem um céu sei que a senhora está em um de Okinawa com uma festa, um pedaço de terra cheia de flores pra cuidar e com um sanshin tocando bem alto...

 

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