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16 de setembro de 2009

Cinderela em São Paulo


Hoje aconteceu algo que achei mágico:

Como todos os outro dias que considero normais - minha defição de dias normais: acordo cedo, pego ônibus, metrô, estudo, volto, não arrumo problemas e nada acontece, sempre ouvindo música e com as mãos no bolso da jaqueta - peguei o ônibus no terminal e fui em direção ao metrô. Como embarco antes consigo ir sentado, o que melhora um pouco meu mal-humor matinal.

Vejo por mais ou menos uma hora a cidade passar frenética e agitada até chegar ao terminal Jabaquara. Com o ônibus já parado permaneci sentado e esperando as pessoas descerem, e diga-se são muitas essa hora e todas atrasadas. Continuei olhando pela janela as pessoas correndo para lá e para cá causando em meio ao caos, foi quando vi do outro lado da avenida, como em um take de filme em que se focaliza a atriz no meio da multidão, uma menina. Que conheci alguns anos atrás e tive uma queda por ela, ah...tá bom gostei dela, imaginei possibilidades, visualizei momentos, guardei situações e até já sonhei com ela, e que por caminhos diferentes perdemos o contato.

Focado na imagem dela bem no meio da rua tudo ao seu redor perdeu o interesse e se moveu mais devagar, esse segundo pareceu durar mais, talvez tenha a ver com o ponto de vista do observador e a relatividade (valeu seu Einstein), porque ela estava em movimento em relação ao chão mas parada em relação a minha visão e meu moviment... deixa quieto. Fisíca teórica à parte a cena ainda não saiu da minha mente. Ela estava levando uma mala de viagem e virou a cabeça para um dos lados antes de atravessar a rua, o que me deixou perplexo foi sua feição, tão suave e inexistente de um mal-humor matinal tão presente em mim.


Foi quando me caiu a ficha e num flash todos os barulhos e a movimentação da cidade voltaram e pensei: Porraaa!!! Preciso sair daqui!!! Levantei, olhei para o ônibus e puta que pariu estava mais lotado do que nunca, tinha gente antes da catraca ainda.
Justamente hoje sentei no primeiro assento do ônibus...
Esperei as pessoas imaginando que talvez pudéssemos combinar um dia para sair, que talvez acontecesse algo legal, até que rolava uma simpatia mútua, será que ela vai lembrar de mim? Preciso saiiir Aaaaarrrgh!!!
Depois de cinco minutos consegui e corri para as escadas, era algo em torno de sete e meia da manhã, tentei andar rápido e procurando desesperado por uma silhueta levando uma mala com rodinhas e com os cabelos até as costas, usei inclusive minha visão periférica.

Não achei ainda mas ela está aqui!! Talvez eu consiga alcançá-la na plataforma, continuei quase correndo, desci, já peguei meu cartão, vi de longe a direção de onde chegaria o próximo metrô e pensei: É agora! São duas plataformas, a possibilidade é de 50%, a placa aponta para a esquerda e o único inútil que vai na direção contrária para pegar mais vazio sou eu, para esquerda então!!! Apressado passei meu cartão e puta que pariu², tinha acabado meu crédito, não vi que acabou e não carreguei. Voltei sem ligar para os outros... todo mundo em São Paulo fica bastante contente quando isso acontece com a pessoa que está à sua frente. Carregar o cartão demoraria, saí correndo para comprar um bilhete.

Desci apressado olhei para os dois lados e não a vi, não pude ver por toda a extensão a plataforma e de novo escolhi um lado, fui passando pelos aglomerados de pessoas esperando o metrô, e a cada grupo que eu passava diminuia mais a minha esperança.

Não encontrei, já no metrô de pé e encostado no último vagão fui confabulando; talvez não fosse para ser... passa um metrô a cada um minuto e pouco, que eficiência merda... depois de tanto tempo ela ainda estava tão bonitinha. Aí lembrei! Ela estava com uma mala de viagem! Talvez ela esteja indo para a mesma estação que eu!
Minhas esperanças voltaram mas de uma maneira bem menor, eu já estava amassado com um moleque de mochila nas minhas costas e fui fazendo contas do tipo; São Paulo e 20.000.000 de pessoas... como vou conseguir achar só uma. Nesse meio tempo pensei em uma desculpa para andar entre os guichês de passagens rodoviárias e cheguei na Barra Funda.

Andei, andei, andei e nada, hoje não estava tão movimentado então pude ver bem a estação, atravessei São Paulo atrás dessa menina mas acho que ela já havia partido.
Isso me deixou desanimado, fui tomar meu pingado e fumar um cigarro antes da aula, em um último pensamento ainda atentei contra a minha pessoa com um comentário sarcástico: Pô se ela passar aqui na janela do ônibus você ainda pode dar um tchauzinho. Uma tragada depois lembrei, não é nem por essa rua que saem os ônibus do terminal, puta que pariu³.

8 de setembro de 2009

Aspirante à Artista

Na real meu, e em palavras bem diretas: Não sei o que estou fazendo tentando virar um.

Não consigo lembrar se já escrevi aqui mas hoje sou estudante de artes visuais. Isso já escrevi, trabalhei alguns anos em fábricas, sou por essência um Dekassegui, nesses anos todos vivendo a rotina dentro de fábricas a gente pensa muita coisa e passam muitas outras pela cabeça. Essa rotina é algo que consegue trasformar as pessoas, corrijo! Pelo contrário, as pessoas mudam por causa dela. No dia à dia em que todos eles são iguais se você não mudar, tudo o que você é obrigado a fazer começa a te consumir, quando você sabe que daqui um, dois, cinco anos tudo o que você detesta fazer hoje ainda vão continuar a fazer parte da sua vida você reflete, é aí que as pessoas mudam, foi o meu caso.

Claro que ninguém faz o que detesta à toa e sem motivos, algumas coisas da vida que você começa a carregar são pesadas demais e outras em uma hora que você ainda não aguenta. Mas isso também é ficar chorando leite derramado, é assim que funciona não?

Tem alguns momentos, e sei que todos passam, que a gente consegue ver a nossa vidinha de um outro ponto de vista, quase como que se estivéssemos de fora. A gente percebe quanto o mundo é gigantesco e se acha idiota por se restringir a um meio tão pequeno.
No meu caminho foram poucas às vezes em que isso aconteceu, vou colocar algumas aqui; quando apaixonado, eu e uma namorada vimos a cidade de Nagoya quase inteira lá das torres da estação; quando estou na fila da rodoviária para comprar uma passagem e vejo quantas cidades existem e não conheço; quando bêbado quase caí de um prédio de uns cinco andares depois de um show; quando em conexão sobrevoei aguns lugares e vi formações de gelo, savanas africanas, luzes de Honk Kong. Parecia programa da Discovery.

Alguns desses momentos somados a um futuro sem lá muitas pespectivas me mudaram. Preciso estudar então...mas o quê!? Puts engenharia não, biologia não, fisíca não. O que sempre me deixou contente foi desenhar, ler quadrinhos, porra meu eu devia fazer artes!

Picasso! Renoir! Van Gogh! Olha como eles são famosos e passaram a vida fazendo o que gostavam, também quero isso para a minha, não pela fama mas quero viver o resto dos meus dias fazendo o que gosto também, por que não? Se eu não tentar vou chegar um dia com todo meu passado nas costas e ficar me arrependendo do que não fiz... quero ser artista também mano!

E é aí que a coisa pega! Arte? WTF! Comecei a estudar artes tem uns anos e sempre me deixa mais dúvidas do que me dá respostas. Por que desenho isso? Qual é o contexto? Arte Contemporânea? É esse o suporte que eu devia usar? Duchamp? Que mídia? E o discurso? Cá entre nós...e eu lá tenho um discurso?

...O pessoal desse meio parece os das fábricas que eu tentava me distanciar,
como sou ignorante nunca li Nietzsche, puta merda eu também sou egocêntrico e arrogante, eu e minha família precisamos de dinheiro, que vida a desse Modigliani gosto dele, o Van Gogh não foi tão feliz assim...

Só com esse minímo de pensamentos já levantam mais questões: Artista? É isso mesmo? Você vai a passar a vida inteira tentando se superar e buscando produzir algo melhor, coisa que talvez nunca venha a acontecer porque ao terminar um trabalho você sempre sabe que pode e pior! Por auto-crítica você precisa fazer melhor. Ou talvez devesse largar mão desse ciclo e abrir um bar? Que resolveria na hora mas com o passar de tempo ia te consumir desde o mais profundo da sua alma por você ter sido um puta cusão e ter desistido, arregado na única coisa que por mais frustrantes que sejam os resultados você se sente bem fazendo.

Esse último parágrafo é em resposta ao primeiro; de vez em quando, com um ou outro trabalho e com uma ou outra pessoa você consegue estabelecer um contato, mesmo sendo raros esses momentos você consegue transmitir idéias para pessoas que talvez sentem igual ou se indentificam com que está falando. E por pouco tempo você consegue ser intelígivel em uma linguagem que você tanto gosta. É... acho que é por isso.


 

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