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28 de setembro de 2010

Hopeless Romantic


Essa é uma das poucas coisas que sigo com afinco na minha vida, celebro todas as sextas-feiras e saio. Todas são boas e na última aconteceu algo interessante.
Uma pessoa pediu para ler a minha mão. Ela disse conhecer sobre o assunto e me pediu para mostrar, na hora fiquei meio constrangido e na verdade nunca me interessei sobre ou acreditei. Sou um cara bem cético e para ser sincero como alguém pode ler os passos da sua vida baseada nas linhas marcadas na palma da sua mão?
Mas uma coisa que ela disse me deixou pensando. O ponto alto da foi quando ela falou: Você não vai casar mas vai ter muitas namoradas! Eu não vou casar!!! Yeeeei!!! Ahn...? Como assim não vou casar, por que? Isso é bom ou ruim?
Preciso analisar os prós e contras sobre casamento.

Se eu continuar solteiro vou ter ainda essa vida que gosto sem compromissos, se eu casar vou ter vários, puts... xis no contras.
Solteiro posso ver só os filmes que gosto, ser porco e não limpar nada. Casado talvez eu tenha que assistir uns filmes ruins, não poder juntar três dias de louça para lavar e catar as pirâmides de latinhas que deixo por onde passo, xis xis no contras.

Ela comentou sobre ter muitas namoradas o que na verdade é muito difícil, sempre fui devagar nessa questão mas me sinto um menino piranha agora, xis grande no contras.
Bebo junto com amigos casados, vou ter hora para voltar, para que casar? Xis xis xis no contras. Metade dos problemas que ouço dos outros são sobre dinheiro a outra metade são sobre casamento, não deve ser uma coisa lá tão boa mas talvez a idéia que eu tenha sobre casamento seja equivocada... ou não, xis no contras.

Puts lembrei de outro fato, domingo sem pretensões vi o sorriso mais charmoso que consigo me lembrar agora e ainda não esqueci. Estou ficando parecido com minha amiga Regina, acho que podemos nos definir como hopeless romantics, algumas coisas não deixamos sair da memória outras não saem da imaginação.
Merda esqueci que posso me apaixonar e nem lembrar que fiz esse balanço. Apaga todos os xis do contras, um xis no prós.

27 de setembro de 2010

Minha Velha (Nova) Cidade


Sabe aqueles dias que não temos nada para fazer? Resolvi sair sozinho para tomar um ar no parque.

Parado vi o seu João acompanhado da nora grávida vindo e cumprimentei: E aí seu João! Ele é um senhor que gosta de conversar, fazendo uma comparação ele gosta tanto de conversar quanto eu gosto de cerveja. Ele é aquele tipo de senhor que vai para a feira às dez da manhã e só chega com a salada e a coca-cola do almoço às duas da tarde, gente boa, conhece e conversa com todo mundo. O seu João disse que estava indo pegar um berço que havia ganho mas lá no quinto andar. Achei pesado e falei que iria subir para ajudar.

Chegando lá pedi licença e levei um susto quando ouvi um gritão: Renaaatoooo!!! Quem havia dado o berço foi uma pessoa que tinha trabalhado comigo há oito anos atrás! Que mundo pequeno! Ela era a pessoa que depois do almoço quando todos estavam mais cansados, era só dar uma olhada e dar risadas. Ela está entre no meu top 5 de pessoas que falam mais palavrões por frases faladas. Foi bom ver que ela continua xingando tudo e que está tão bem.

Desci e continuei o caminho para o parque quando vi uma senhorinha japonesa vindo com as compras, conheço ela de algum lugar pensei, ela me viu e parou. Lembrei! Era minha vizinha de outro lugar. Ela disse que agora eu estava com cara de homem, sem outro sentido vai... a última vez que a vi eu era adolescente. Ela sempre foi uma senhora que morou sozinha e quando que faziámos alguma comida típica davámos um pratinho para ela experimentar. Sempre fazia questão de retribuir e se tornou amiga da família, ela também gostava de desenhar, de mexer com aquarela e ficou feliz de me ver e saber das notícias do pessoal. Inclusive preciso levar outro pratinho para ela qualquer dia desses.

Finalmente cheguei no parque, lá já estavam mais dois colegas e começamos a beber juntos, conversa vai conversa vem, hoje é sabádo e ae? Fui junto comer picanha e tomar uma cerveja. Bebida e risadas. Eee vida boa... Chegando em casa outro amigo chamou para dar uma volta pela noite, revi alguns lugares que não via há mais de cinco anos.
Modéstia a parte minha velha nova cidade é linda de noite.

Sem querer me gabar tenho bons amigos depois de tanto tempo longe, tenho boas companhias na cidade que aprendi a gostar tanto e que nunca saiu da minha cabeça. Continua como sempre guardei na memória, simpática, acolhedora e amigável.
"Aqui é Toyohashi mano!" (Jeff)

22 de setembro de 2010

Tsukaretá?


Minha firma é gigante, com centenas de máquinas e funcionários daquelas que não param dia ou noite, barulho, prensas, soldas e linhas.
O galpão quase não se enxerga o fim e dependendo as máquinas chegam a uns dois metros e meio cada, não se vê paredes. Quanto ao trabalho é sempre o mesmo, não na função mas na essência, todo ser humano faz o trabalho de um robô. Homens e máquinas se fundem e tornam-se um só organismo. Um depende do outro para se chegar ao produto final e da maneira correta.

Todos precisamos nos sustentar e não falo de trabalho, mas em meio ao serviço me pergunto várias vezes por dia, será que essas pessoas também se indagam como eu? Isso aqui é vida? Percebo que deixamos mais que suor naqueles galpões, fica ali muito do aprendemos a ter orgulho em nós e do que admiramos nas outras pessoas. A fábrica é exatamente o oposto da idéia de um purgatório, enquanto em um são almas perdidas no outro são corpos sem alma, vagando sem expressão nos rostos. Independente da nacionalidade das mesmas, sejam brasileiros, japoneses, filipinos, indonesianos ou chineses.
A fábrica deixa-nos apáticos? Ou precisamos ser assim para ganhar a vida por lá?
Vejo ali dentro como não se deve tratar outras pessoas, vejo ali o quão ruim também pode ser o ponto de vista da pessoa ao seu lado. Ninguém é de ninguém, traíragem, desconfiança, maldade e egoísmo. Todos os dias na firma vejo isso de maneira aleatória e sem nacionalidade específica.

Não pode ser que esqueçamos tão fácil assim o que nossos pais nos ensinaram, o que gostamos de ver nos outros e de como gostaríamos de ser tratados. A cada dia que passa perco mais um pouco do da minha fé nas pessoas, a cada dia que passa percebo que fico mais egoísta e me distancio do que aprendi a ser.

A melhor coisa é que sempre tem alguém me mostra que estou errado! Hoje, pouco mais de onze horas trabalhadas com quase toda minha energia esvaída e ainda ofegante, paro um pouco para deixar o carrinho do repositor de peças passar mas ele também para. O repositor é filipino e me pergunta em japonês: Tsukaretá? (Está cansado?) Respondo que sim, ele dá um sorriso e diz Ganbatê! (Se esforça!). Sorrio de volta e aceno positivamente com a cabeça.

O dia inteiro ando com um pé atrás em um campo minado sozinho, um ato de cinco segundos prova que todo meu pensamento negativo e pessimista está errado e que ainda preciso ser otimista e ter fé nas pessoas. Preciso ser forte como ele, ajudar quem depende de mim e quem precisa também. Pelo trabalho e tamanho da firma nem sei se vejo ele de novo e com certeza ele não vai ler isso aqui mas...
Grato, mudaste os pensamentos ruins de uma pessoa sobre as outras. Domo Arigatô!

 

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